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Praia do Terras em Itu: o que muda para quem compra no Terras

Três praias artificiais a uma hora de São Paulo, duas já em operação e uma anunciada. Como ler esse cenário antes de escolher o lote ou a casa.

David AndreattaDavid Andreatta|02 de novembro de 2026|6 min
A Praia do Terras de São José III - Andreatta Broker

Itu vai ganhar uma praia. A frase soa estranha para quem conhece a cidade pelas placas, pelos condomínios de golfe e pela Castello Branco, mas é o que o Grupo Terras de São José anunciou em abril: a Praia do Terras, uma lagoa de ondas artificiais com tecnologia da canadense Endless Surf, dentro de um novo empreendimento do grupo. Para quem mora ou pretende morar no Terras de São José I ou no Terras de São José II, a notícia muda a conversa sobre o que o condomínio oferece. Também muda a forma de avaliar o que se compra agora.

Acompanhamos o projeto desde o anúncio e vemos duas leituras possíveis. A primeira é a do entusiasmo: uma praia a uma hora da capital é um ativo raro. A segunda é a do comprador prudente: um projeto anunciado não é um projeto entregue, e a diferença entre as duas coisas costuma ser medida em anos. Este artigo tenta juntar as duas leituras com os dados disponíveis.

O que foi anunciado

Segundo o Jornal Periscópio, o grupo confirmou a implantação da Praia do Terras com o modelo ES66 da Endless Surf, capaz de gerar ondas contínuas de até 40 segundos, em intensidades que vão do iniciante ao atleta profissional. O complexo prevê spa, academia, restaurantes, trilhas para caminhada e ciclismo, quadras esportivas e áreas de convivência.

De acordo com o portal Ciol, o ES66 de Itu será o maior já construído pela Endless Surf, a primeira instalação da empresa no estado de São Paulo e a segunda no Brasil. O release internacional da fabricante, reproduzido pelo Surf Park Central, confirma a posição do projeto no portfólio da marca.

O diretor executivo do grupo, Cesar Federmann, resumiu a ambição em entrevista reproduzida pela FM90, a partir do Correio do Interior: o projeto, segundo ele, merece ser grande por ser em Itu. Ao Periscópio, Federmann disse que a ideia de trazer uma praia para a cidade é avaliada pelo grupo desde 2019.

O cronograma e o que ele significa

Aqui está o ponto que mais interessa a quem compra. Ainda segundo o Periscópio, as obras não começaram e a previsão é de início no fim de 2027. A inauguração, nas palavras de Federmann, é estimada para até o fim de 2029. O mesmo texto registra que o projeto estava, em abril, em fase de estudos finais para ser submetido aos órgãos competentes.

Em outras palavras: trata-se de um projeto previsto, com licenciamento ainda por vir e um horizonte de três anos até a primeira onda, se tudo correr como o grupo projeta. Não é pouco. Loteamentos de porte no interior paulista dependem de aprovações estaduais e municipais, e um lago desse tamanho envolve licença ambiental própria. Tratamos esses prazos como estimativas do empreendedor, nunca como data certa.

Sobre a água, tema que costuma gerar debate em projetos assim, o grupo afirma ao Periscópio que a lagoa será preenchida uma única vez, no período de chuvas, e que o consumo seguinte se limita à reposição da evaporação, estimada entre 1% e 2%. O investimento, segundo o diretor, é integralmente privado. São declarações do empreendedor; o licenciamento é que vai confirmá-las.

O interior já tem mar

A Praia do Terras não chega a um território vazio. A uma distância parecida de São Paulo, duas praias artificiais já funcionam, e isso ajuda o comprador a calibrar expectativas.

Na Fazenda da Grama, em Itupeva, a Praia da Grama opera desde 2021. A Exame descreveu a orla de 700 metros e o uso da tecnologia Wavegarden Cove, e o Secovi-SP registrou o loteamento como o que levou o litoral para o interior do estado. Em Porto Feliz, dentro do Boa Vista Village, o Periscópio cita a piscina de 220 metros com ondas artificiais já em operação, no complexo da Fazenda Boa Vista.

A comparação é útil por um motivo prático. Em Itupeva e Porto Feliz, quem compra hoje vê a praia funcionando, conhece o custeio e sabe como é a fila para surfar num sábado de sol. Em Itu, quem compra hoje compra a expectativa de uma praia maior e mais tecnológica, com a contrapartida de esperar por ela. Nenhuma das duas situações é melhor em abstrato; depende de quando a família quer usar o ativo e de quanto está disposta a pagar pelo que ainda não existe.

O que isso muda para quem avalia o Terras de São José

Vemos três efeitos concretos para quem está olhando casa ou lote em Itu neste momento.

O primeiro é sobre o preço pedido. Proprietários tendem a incorporar à conversa de venda um ativo anunciado, mesmo que ele fique a anos de distância. É legítimo, mas o comprador precisa separar o que o condomínio entrega hoje (golfe, hípica, tênis, segurança, a vizinhança consolidada do Terras I e do Terras II) daquilo que é promessa com cronograma do empreendedor. Nos comparáveis que montamos para clientes, a praia entra como variável qualitativa, não como metro quadrado valorizado.

O segundo é sobre acesso. O Periscópio descreve a praia como voltada aos moradores e frequentadores do complexo do grupo, e o Ciol fala em ambiente exclusivo para membros. Como esse acesso será formalizado, se por título, por associação ou por outra figura, e quanto vai custar em mensalidade, são informações que só o material oficial do empreendedor vai definir. Antes de qualquer decisão, pedimos esse documento e lemos com o cliente, cláusula por cláusula.

O terceiro é sobre tempo. Uma família que quer surfar com os filhos em 2027 encontra isso hoje em Itupeva ou em Porto Feliz. Uma família que compra no Terras pelo que o condomínio já é, e vê a praia como bônus futuro, tem uma decisão mais tranquila. A compra fica difícil quando a praia é a razão principal e o prazo não cabe no plano da família.

Como a Andreatta Broker trabalha essa informação

Nossa função, quando representamos quem compra, é filtrar ruído e trazer dado. No caso da Praia do Terras, isso significa acompanhar o licenciamento à medida que for publicado, pedir ao empreendedor as condições formais de acesso quando existirem, e manter os comparáveis de Itu, Itupeva e Porto Feliz lado a lado para que o cliente veja o que paga por praia pronta e o que paga por praia prometida. O método está descrito na página sobre buying agent e vale para todos os condomínios de campo em que atuamos.

Itu está ganhando um ativo que poucas cidades do interior terão. A questão para o comprador não é se o projeto é bom, e sim quando ele chega, quanto custa participar e quanto disso já está embutido no preço da casa que está vendo. Quem responde essas três perguntas antes de assinar compra bem.

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David Andreatta
David Andreatta
Managing Partner da Andreatta Broker · CRECI 123841-F

Corretor de imóveis desde 2009, especializado em alto padrão no campo e no litoral de São Paulo. Representa compradores desde 2013 e mora dentro do condomínio onde mais vende. Ver o perfil completo.

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